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Mariana Dixe

UM ANO DE BLOG

22.01.21

Blog © Kristopher Roller (Unsplash).jpg

22 de janeiro. Faz hoje um ano que escrevi o meu primeiro texto por estas bandas, sobre o Circles, álbum póstumo do Mac Miller que continua a ter um lugar especial na minha vida e, pós-Natal, na minha estante. Porque ainda não ultrapassei a mania dos balanços, de que sofro sempre por alturas da passagem de ano, não resisto a dizer que foram 60 publicações (três sobre música, duas sobre experiências, seis sobre filmes, onze sobre séries, onze sobre o meu bullet journal, três sobre espetáculos, três sobre livros, dez recomendações de quarentena, duas de verão, seis balanços de 2020 e três textos-em-modo-desabafo). Se isto interessa a mais alguém para além de mim? Dificilmente. Mas vivo bem com isso.

 

E isto é tão verdade para estas contagens como para o blog. Quando era pequena, tive vários. Faço parte daquela franja da população adolescente que, talvez por estar muito à frente do seu tempo, por não gostar do papel e caneta ou por se ter em grande conta, ventilava todos os devaneios para uma página online, à qual correspondia um link que, por motivos desconhecidos, ninguém abria. Na verdade, isso nunca me incomodou. Pelo contrário. Eu não compreendia sequer que alguém pudesse ter interesse naquilo que eu escrevia, sendo que eu escrevia sobre mim e para mim - da mesma maneira que eu não tinha interesse em ler outros blogs que não o meu. Nem sequer lhes concebia a existência.

Hoje, a grande diferença é essa. Quando descobri o blog da Rita da Nova, percebi que era possível que os blogs fossem mais do que uma versão eletrónica do nosso diário adolescente. Percebi que as opiniões que os meus amigos me pediam sobre livros ou séries, os relatos das viagens e as recomendações personalizadas tinham espaço na esfera digital. A Rita não sabe, e provavelmente nunca virá a descobrir, mas foi a grande inspiração (ou aspiração) para criar esta página faz hoje um ano.

Depois, ainda meio descrente e desligada, comecei a receber comentários. Não é para me gabar, mas em 60 publicações, 43 comentários é muito mais do que eu estava à espera. E digo que não é para me gabar porque os comentários, assim, só os números, não significam nada. Mas para mim, por esta altura, foram a consciência de que estavam pessoas do outro lado. E houve um nome que começava a repetir-se: o da Patrícia. Se me ponho a pensar, comove-me que alguém que nunca falou comigo, com quem eu nunca estive, que sabe muito pouco sobre mim, tenha interesse naquilo que eu escrevo e chegue sequer a ponderar considerar as minhas opiniões. Acho que sim, eu sou o protótipo de um alvo fácil para Catfish. Mas, Patrícia, se estiveres por aqui, ainda estou à espera do teu feedback sobre Normal People. Pelo resto, obrigada.

E para terminar esta onda lamechas de aniversário em forma de estômago a andar às voltas, acredito que alguns destes comentários só apareceram porque a equipa SAPO Blogs achou que o meu conteúdo era digno de um destaque, pelo menos cinco vezes. É difícil imaginar porquê. Mas ver o meu nome ali na porta de entrada, ao lado de outros já velhos conhecidos, dá um quentinho, não posso negar. 

Hoje, a grande diferença é essa. Ainda escrevo essencialmente para mim, mas descobri que há pessoas que me lêem. Sobretudo porque, finalmente, eu também leio outras pessoas.

 

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